Deise Dilkin08/08/2020

Quem foi Guillermo Kahlo, o pai da pintora mexicana Frida Kahlo

Guillermo Kahlo é mais conhecido por ser o pai e um dos fotógrafos da pintora mexicana Frida Kahlo. O que realmente é uma pena, pois ele fez um trabalho extraordinário como fotógrafo nas três primeiras décadas do século XX. Guillermo foi o primeiro fotógrafo oficial do Patrimônio Cultural do México.

O fotógrafo exerceu uma grande influência tanto sobre a vida pessoal quanto a vida profissional da filha, Frida Kahlo. Foi ele quem cuidou de sua filha favorita quando ela tinha 6 anos e teve poliomielite e após o grave acidente de bonde que a pintora sofreu quando tinha 18 anos. E foi com o pai que Frida aprendeu a superar e conviver com a dor, já que ele também era um homem doente e sofria de epilepsia.

Em sua vida profissional, a pintora também teve uma grande influência do fotógrafo Guillermo Kahlo. Desde criança Frida sempre teve um grande interesse por arte, principalmente fotografia. O pai a ensinou todo o processo fotográfico e a artista passava várias horas do seu dia com ele na câmara escura.

Guillermo Kahlo é mais conhecido por ser o pai e um dos fotógrafos da pintora mexicana Frida Kahlo.

Guillermo foi também uma das pessoas que mais fotografou a pintora. Neste artigo falaremos sobre quem foi o pai de Frida Kahlo.

Vida Pessoal

Carl Wilhelm Kahlo nasceu em 26 de outubro de 1871, em Pforzheim, na Alemanha. Em 1890, após a morte de sua mãe e casamento de seu pai com uma mulher de quem não gostava, Carl se mudou para o México. Alguns anos depois casou-se com María Cárdena Espino, naturalizou-se mexicano, mudando o seu nome para Guillermo e nunca mais retornou para seu país Natal.

Sua primeira esposa morreu quatro anos depois do casamento ao dar à luz a segunda filha do casal. No ano seguinte, casou-se com Matilde Calderón y Gonzalez, filha de um fotógrafo de ascendência indígena. Com ela teve quatro filhas, entre elas Frida Kahlo.

Em 1890, após a morte de sua mãe e casamento de seu pai com uma mulher de quem não gostava, Carl se mudou para o México

Foi Matilde quem convenceu Guillermo a virar fotógrafo, profissão de seu pai.

Carreira

Com o pai de Matilde, seu sogro, viajou o México e produziu uma coleção de fotos da arquitetura indígena e colonial. As fotografias foram encomendadas pelo governo e ilustraram publicações de luxo para a celebração do centenário da independência mexicana. Este foi provavelmente um de seus mais importantes trabalhos.

Um anúncio de seu trabalho dizia:

"Guillermo Kahlo, especialista em paisagens, edificações, interiores, fábricas etc., tira fotografias sob encomenda na capital ou em qualquer outro lugar da República".

Apesar de fotografar a sua família e alguns membros do governo, Guillermo não gostava de fotografar pessoas "pois não desejava melhorar o que Deus criara feio".

Em 1904, o pai de Frida Kahlo já era um fotógrafo renomado no México e tinha um emprego estável. Comprou um pequeno pedaço de terra da fazenda El Carmen, que havia sido dividida em lotes e construiu sua casa em Coyoacán. Casa que se tornaria a famosa Casa Azul e hoje Museu Frida Kahlo.

Alguns anos mais tarde se tornou fotógrafo industrial. Suas últimas fotografias foram feitas 5 anos antes de sua morte para a Fundição Monterrey, a primeira siderúrgica da América Latina. Essas fotografias ilustraram anúncios e ficaram arquivadas nas empresas.

Sua obra encontra-se na Fototeca Nacional (Biblioteca Nacional de Fotografia). É a fonte mais importante de informação no estudo da herança arquitetônica colonial e das construções religiosas. Estudada do ponto de vista estético, finalmente recebeu o reconhecimento merecido de sua contribuição para a fotografia mexicana.

Influência e relação com Frida

Guillermo Kahlo era um homem de poucas palavras e embora ansiasse por aceito como mexicano, nunca se sentiu em casa no México. Ele não era um homem expansivo e afetuoso, apesar disso, Frida era sua filha preferida. Ele sempre dizia que ela era a sua filha mais inteligente e a que mais se parecia com ele.

O fotógrafo era muito atencioso com a sua filha predileta e estimulava seu lado intelectual emprestando os livros de sua biblioteca particular. Quando Frida cresceu, compartilhou com ela seu interesse pela arqueologia e arte mexicanas e ensinou-a tudo relacionado a fotografia, inclusive revelar e retocar as fotografias. A meticulosidade do pai apareceria em sua pintura anos mais tarde.

Frida, assim como muitos outros artistas, teve sua carreira influenciada pelo pai que era pintor e fotógrafo. Depois que contraiu poliomielite e foi cuidada pelo pai, seus laços sentimentais ficaram ainda mais estreitos. Ambos eram pessoas doentes e solitárias. (Seu pai tinha ataques epiléticos desde os 18 anos, quando sofreu uma queda).

Como Guillermo não teve nenhum filho homem, depositava toda a sua esperança em Frida. Como ele teve sua vida acadêmica interrompida após se mudar para o México, acreditava que a filha favorita deveria se preparar para seguir uma carreira. Sendo assim, a matriculou na Escola Nacional Preparatória em um programa de estudos que a deixaria em condições de ingressar em uma faculdade de medicina.

Quando Frida se casou com o muralista Diego, ele relembra que o sogro se divertiu muito no casamento de sua filha favorita, e no meio da cerimônia ele se levantou e disse: "Cavalheiros, não é verdade que estamos todos fingindo?"

Muitos anos depois, Frida escreveu em seu diário:

"Minha infância foi maravilhosa porque, embora meu pai fosse um homem doente (tinha vertigens a cada mês e meio), para mim ele era um imenso exemplo de ternura, de trabalho (era fotógrafo e pintor) e, acima de tudo, de compreensão dos meus problemas".

A morte de Guillermo, em 1941, foi um momento muito trágico para a pintora.

Retrato de meu pai Wilhelm Kahlo, 1952

Mais de dez anos depois de sua morte, Frida decidiu pintá-lo no quadro que se chamaria Retrato de meu pai Wilhelm Kahlo, 1952. O quadro foi baseado em um retrato que Guillermo havia tirado de si mesmo. Na parte inferior da pintura, a artista escreveu:

"Pintei meu pai, Wilhelm Kahlo, de origem húngaro-alemã, artista fotógrafo de profissão, de caráter generoso, inteligente e refinado, e valente porque sofreu durante sessenta anos de epilepsia, porém jamais deixou de trabalhar e lutou, com fervor, contra Hitler… Sua filha, Frida Kahlo".

Mais de dez anos depois de sua morte, Frida decidiu pintar Guillermo Kahlo no quadro que se chamaria Retrato de meu pai Wilhelm Kahlo, 1952

Tanto em seu diário, quanto em todas as cartas que escreveu e em conversa com os amigos íntimos, Frida sempre demonstrava grande afeto por seu pai, o qual se referia como um homem muito inteligente e de andar muito elegante. Seja na personalidade ou em sua obra vemos claramente a influência marcante de seu pai. Sua meticulosidade e a tendência a fazer retratos de si mesmos.

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