Deise Dilkin26/11/2019

Quem foi Diego Rivera, a Grande Paixão da Vida de Frida Kahlo

Diego Rivera foi um artista plástico mexicano, mais conhecido atualmente por ter sido marido da pintora também mexicana, Frida Kahlo. Na época em que viveram, Diego era muito mais famoso que Frida, até pela grande diferença de idade entre eles (21 anos). O artista foi um dos maiores muralistas do México.

Rivera foi, sem dúvida nenhuma, o grande amor da vida da pintora mexicana. Desde o momento em que se casaram até a morte de Frida, contando o período em que estavam separados, o casal permaneceu juntos por 25 anos. Foi um relacionamento de muita paixão, companheirismo e muitas traições, de ambos os lados.

Dessa forma, consideramos de grande relevância falar sobre quem foi Diego Rivera. Quando se casaram, Frida e Diego eram conhecidos pela família e pelos amigos de “o elefante e a pomba”, pela grande diferença de tamanho do casal. Nos 25 anos em que permaneceram juntos, casaram-se duas vezes, se divorciaram uma e tiveram diversos relacionamentos extraconjugais, inclusive triângulos amorosos.

A Infância e Adolescência de Diego Rivera

Diego María de la Concepción Juan Nepomuceno Estanislao de la Rivera y Barrientos Acosta y Rodrigues, mais conhecido como Diego Rivera, nasceu no dia 8 de dezembro de 1886. O muralista tinha descendência judaica e nasceu na cidade de Guanajuato no México.

Sua família mudou-se para a Cidade do México quando Diego tinha seis anos de idade. Quatro anos depois, ele iniciou os seus estudos na capital mexicana, na Escola de Belas Artes de San Carlos. Desde pequeno Rivera demonstrava talento e interesse pelas artes.

Em sua adolescência e início da vida adulta (1907 até 1921), o muralista estudou por vários anos na Europa. Com uma bolsa de estudos, Diego morou na França, Itália e Espanha, onde teve contato com grandes pintores como Pablo Picasso, Salvador Dalí, Juan Miró e o arquiteto catalão Antoni Gaudí. Suas telas e desenhos dessa época são considerados obras-primas do cubismo.

Os muralistas da época acreditavam que somente um mural poderia redimir artisticamente um povo. Criticavam e chamavam de “burguesa” a pintura de cavalete, pois na maioria das vezes ficava confinada em uma coleção particular.

Ao retornar para o México em 1921, fundou o Sindicato dos Pintores, junto com David Alfaro Siqueiros e de José Clemente Orozco. Dessa forma, surgiu o “Movimento Muralista Mexicano”. Entre 1921 e 1956, Diego pintou um total de 6.730 m2, distribuídos entre México, Estados Unidos, China e Polônia.

A Vida Pessoal de Diego Rivera

Diego Rivera casou-se 4 vezes, incluindo o tumultuado casamento com Frida Kahlo. Trabalhando em um ateliê em Madri, na Espanha, ele conheceu a sua primeira esposa, a pintora russa Angelina Beloff. Com ela, Rivera teve um filho e ficou profundamente deprimido ao ficar viúvo logo em seguida.

Quando retornou ao México, casou-se com Guadalupe Marín, com quem teve duas filhas, Ruth e Guadalupe. Lupe foi o tema de pinturas em retratos de Rivera, Frida Kahlo e Juan Sorian. O casamento durou 4 anos, não resistindo às sucessivas escapadas de Diego.

Em 1929, o muralista casou-se com a pintora Frida Kahlo, 21 anos mais nova que ele. Em uma relação bastante tumultuada com diversas traições de Diego, inclusive com a irmã mais nova de Frida, divorciaram-se em 1940. Um ano depois, casaram-se novamente e permaneceram juntos até a morte da artista, em 1954.

Diego Rivera e Frida Kahlo se casaram e tiveram uma relação amorosa ardente e tumultuada.

Após a morte de Frida, Diego casou-se com Emma Hurtado, sua agente. O casal viajou para a União Soviética, onde o muralista foi operado. Com ela permaneceu até 1957, ano em que morreu de câncer.

Diego e Frida (na visão dele)

Frida e Diego conheceram-se em 1921, quando ele pintava o mural Criação no Anfiteatro da Escola Nacional Preparatória. A artista tinha então 15 anos e era aluna da escola. Frida dizia a suas amigas que teria um filho com Rivera e o muralista lembra dela dessa forma:

“Ela estava vestida como qualquer outra estudante do ensino médio, mas em suas maneiras havia algo que imediatamente chamava a atenção e a diferenciava. Ela tinha uma dignidade e uma autoconfiança fora do comum, e em seus olhos ardia uma estranha chama. Sua beleza era infantil, mas seus seios eram bem desenvolvidos.”

No entanto, foram só alguns anos mais tarde que o casal se reencontrou e começou a namorar. O namoro foi curto e em 1929 já estavam casados. Apesar das inúmeras traições de Diego e das muitas mulheres com quem se relacionou, Diego afirmava que Frida era “a mais maravilhosa”.

Em uma entrevista à Elena Poniatowska, Diego confessou: “Tive a sorte de amar a mulher mais maravilhosa que já conheci. Ela era poesia e a própria genialidade. Infelizmente, eu não soube amar somente a ela, porque sempre fui incapaz de amar uma única mulher".

Os amigos que conviviam com o casal na época contam que eles se amavam obsessivamente. Apesar de nos primeiros anos o casal ter uma relação quase que de pai e filha, todos concordam que com o tempo Frida passou a ser uma figura materna para Diego. Às vezes ela se enfurecia com as traições do marido, em outras se divertia e queria saber detalhes de seus casos amorosos.

Rivera foi o mestre da pintora e seu maior incentivador. Ele gostava de ver como Frida tentava sustentar-se, sem depender tanto dele. A verdade é que o muralista abriu o mundo para Frida Kahlo, até mesmo porque quando se casaram, ele já era famoso internacionalmente.

O relacionamento de ambos, se não era de fidelidade, era de muita lealdade e amizade. Quando Frida morreu, Diego se tornou velho, apático e feio. Em sua autobiografia, ele relembra o dia do falecimento de sua terceira esposa:

“13 de julho de 1954 foi o dia mais trágico da minha vida. Perdi minha amada Frida, para sempre. […] Agora é tarde demais, eu percebi que a parte mais maravilhosa da minha vida tinha sido meu amor por Frida”.

Diego Rivera e a Militância Política

Rivera era ateu e comunista, inclusive tendo ajudado a fundar o Partido Comunista Mexicano. Em seus murais estavam sempre presentes as causas socialistas e ele sempre reafirmava seu caráter de artista comprometido politicamente. Entre 1927 e 1928 visitou a União Soviética, fortalecendo os seus laços com o comunismo.

Nos murais de Diego Rivera, estavam sempre presentes as causas socialistas e ele sempre reafirmava seu caráter de artista comprometido politicamente

Diego usava sua arte para discutir temas como desigualdade econômica e se negava a submeter-se a ricaços que não concordavam com o seu ponto de vista. Um dos episódios mais famosos envolvendo a sua carreira foi com o Rockefeller Center. Contratado para fazer um mural, Rivera retratou Lenin liderando um protesto em sua obra denominada “Man in the Crossroads”.

Além de o trabalho não ter tido permissão para ser exposto, Diego foi demitido e o seu mural destruído. O muralista não tinha medo de expressar a sua opinião às classes mais altas e poderosas. Na União Soviética fez muitos inimigos e se tornou uma persona non grata no país ao apoiar e abrigar em sua própria casa o comunista Leon Trotsky, então inimigo de Stálin.

Em 1929, Rivera foi expulso do Partido Comunista por se aproximar das ideias de Trotsky. Apesar disso, Diego continuou sua militância no México e, pouco antes de morrer, visitou a União Soviética pela última vez.

A Carreira de Diego Rivera

A experiência de Diego na Europa enriqueceu muito o seu trabalho em termos artísticos e teve grande influência em toda a sua carreira. Em seu estilo vigoroso, realista e de cores vivas, nota-se a influência do cubismo. Apesar de criticar as pinturas de cavaletes, o muralista também chegou a pintar muitas paisagens e retratos.

Diego Rivera dizia “Eu pinto o que vejo!” e assim sendo, pintou mais de 3 mil quadros, 5 mil desenhos e cerca de 5 mil metros quadrados de mural. Além disso, o muralista também é autor de obras gráficas, ilustrações e ensaios.

Sua arte vanguardista tinha muita expressividade e focava na história do povo mexicano. Seus personagens principais eram sempre trabalhadores, e seus gigantescos murais mostram a história social e política do México. A fundação do “Sindicato dos Pintores” foi determinante para estruturar sua mais destacada arte estética, o muralismo. Diego chegou inclusive a dar aulas de composição e pintura no Colégio Nacional.

Em 1930, o muralista mudou-se com a sua esposa, Frida Kahlo, para os Estados Unidos, onde permaneceram por 4 anos. Pintou diversos murais, inclusive no Rockfeller Center, em Nova York, que foi destruído antes de ser exposto.

Além de ser um militante político, o fato de Diego ser ateu também influenciou muito a sua obra. Em seu mural "Sonho de uma tarde dominical na Alameda Central", Rivera pintou Ignacio Ramírez segurando um cartaz que dizia que Deus não existia. O muralista enfrentou grande indignação e preconceito e seu trabalho não foi exposto por nove anos.

Após concordar em retirar a inscrição, Rivera declarou: “Eu sou ateu e considero as religiões uma forma de neurose coletiva".

Entre 1936 e 1940 pintou paisagens e retratos e em 1950 ilustrou o livro Canto Geral de Pablo Neruda. Em 1952 criou o mural “A Universidade, a Família Mexicana, a Paz e a Juventude Desportista”, no Estádio Olímpico. Com pequenos azulejos de vidro, pintou sua obra-prima no "Teatro dos Insurgentes", em 1953.

As Principais Obras de Diego Rivera

O muralismo de Rivera influenciou muitos artistas norte-americanos ao expor o seu trabalho em grandes murais nas cidades de São Francisco, Detroit e Nova Iorque. Entre suas principais obras murais estão as do Palácio do Governo, de 1929, e as do Palácio Nacional, de 1935, no México.

O muralismo de Rivera influenciou muitos artistas norte-americanos ao expor o seu trabalho em grandes murais nas cidades de São Francisco, Detroit e Nova Iorque.

Entre seus quadros mais famosos estão Nudez com Lírios de Calla, de 1944. Este quadro foi pintado após os seus dois grandes murais para o Instituto Nacional de Cardiologia e antes do mural Grande Cidade de Tenochtitlán. Foi uma homenagem sua para seu grande amor, Frida Kahlo.

Diego Rivera homenageou Frida em sua obra entitulada Nudez com Lírios de Calla

Seu quadro “O Portador de Flor”, de 1935, também ficou muito conhecido. Nele um homem carrega um enorme cesto preso às suas costas. Repleto de simbolismo e significado, o quadro representa os obstáculos que um trabalhador enfrenta em um mundo capitalista moderno.

Outras obras importantes de Diego Rivera foram:

  • Marinheiro Tomando o Café da Manhã (1914)
  • O Guerrilheiro (1915)
  • Paisagem Zapatista (1915)
  • Retrato de Martin Luis Guzman (1915)
  • A Criação (1922)
  • A Terra Fecunda (1927)
  • O Arsenal, Frida Kahlo distribuindo Armas (1928)
  • Pintura de um Fresco (1931)
  • Indústria Norte de Detroit (1932)
  • Homem na Encruzilhada (1933)
  • O Mundo de Hoje e de Amanhã (1935)
  • Desfile do 1º de Maio em Moscovo (1956)

Os Últimos Dias de Diego Rivera

Diego Rivera faleceu no dia 24 de novembro de 1957, em sua casa, em San Ángel. O artista morreu de câncer e tinha 71 anos. Seu último desejo não foi respeitado, pois o muralista gostaria que suas cinzas fossem misturadas com as de Frida e mantidas na Casa Azul.

Sua esposa na época de sua morte, Emma Hurtado preferiu que seus restos fossem colocados na Rotunda das Pessoas Ilustres, contrariamente à sua última vontade.

Museu Casa-Estúdio de Diego Rivera e Frida Kahlo

Logo após a morte de Diego, em 1957, assim como havia acontecido com Frida e a Casa Azul, sua residência em San Ángeles também virou museu. Os três edifícios que compõem o museu foram projetados pelo arquiteto Juan O’Gorman em 1931. Eles serviram de ateliê, estúdio fotográfico e moradia para Diego e Frida entre 1934 e 1941.

Museu Casa-Estúdio de Diego Rivera e Frida Kahlo

O ateliê onde Diego Rivera trabalhava continua intacto, com sua bagunça e suas ferramentas, como se ele tivesse acabado de sair do ambiente. Na casa de Frida não há muitas coisas, pois a artista trabalhava mais na Casa Azul. O espaço é reservado para exposições temporárias. Na casa-estúdio de Diego há o seu quarto montado com uma colcha inacabada feito por Frida Kahlo.

O museu é aberto de terça a domingo das 10h às 18h.

Diego Rivera foi um dos mais importantes muralistas do México e, sozinho, conseguiu mudar a forma como sua nação fazia arte. Apesar de hoje ser mais conhecido como o marido de Frida Kahlo, em sua época, ele era muito famoso e deixou um legado impressionante, entre murais, quadros e desenhos.

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