Deise Dilkin14/11/2019

Os outros amores da vida de Frida Kahlo

Não é novidade que o grande amor da vida da pintora mexicana Frida Kahlo foi o muralista Diego Rivera. Entre idas e vindas, o casal permaneceu juntos por quase 25 anos. Seu relacionamento foi intenso, apaixonado, mas também recheado de casos extraconjugais, de ambos os lados.

Da parte de Frida, eles aconteceram principalmente depois que a artista descobriu que seu marido a traía com sua própria irmã. Apesar de perdoá-lo e voltarem a morar juntos logo depois, Frida mudou depois desse acontecimento e passou a permitir-se também viver grandes paixões.

A artista teve uma vida curta de dor e sofrimento. Apesar disso, nunca se entregou e viveu a vida intensamente, com muito amor e paixão. Além de vários amantes, Frida também teve namorados e casos antes de seu casamento com Diego e no período em que estiveram separados.

Apaixonada pela vida e acostumada a transformar a tragédia em beleza, a artista era adorada por seus amigos. De olhos negros e humor ácido, ela conquistava as pessoas por onde passava. Frida se relacionou com homens, mulheres e personalidades importantes da época. Muitos sucumbiram aos encantos da famosa pintora mexicana. A seguir, conheça os principais relacionamentos afetivos de Frida Kahlo.

Alejandro Gómez Arias

O primeiro amor da vida de Frida Kahlo foi o líder dos Cachuchas, Alejandro Gómez Arias. Os Cachuchas eram um grupo de sete meninos e duas meninas na Escola Nacional Preparatória. Eram conhecidos pelos chapéus que todos usavam, inteligência e pelas travessuras que aprontavam.

O primeiro amor da vida de Frida Kahlo foi o líder dos Cachuchas, Alejandro Gómez Arias.

Alejandro era bonito, um excelente aluno e bom atleta. Também era um grande orador e contador de histórias. Não demorou para que Frida caísse de amores pelo colega e fosse correspondida.

Se apaixonaram no verão de 1923 e desde então eram vistos sempre juntos. Quando não podiam se ver, trocavam fotografias e cartas de amor apaixonadas. Muitas dessas cartas estão ainda hoje disponíveis no Museu Dolores Olmedo, na Cidade do México.

O casal esteve separado por um curto período no final de 1923 e início de 1924 devido às férias na Escola Preparatória e à rebelião que eclodiu contra o presidente Obregón. A distância só aumentou a paixão de Frida por Alejandro. Voltaram a se encontrar algum tempo depois e a artista tinha planos de ir para os Estados Unidos com o namorado, onde queria "expandir seu mundo e mudar de vida".

Em setembro de 1925 Frida Kahlo viu sua vida mudar ao sofrer o terrível acidente de ônibus que a fez passar por mais de 35 cirurgias. Frida e Alejandro voltavam a Coyoacán, quando um bonde colidiu com o ônibus que estavam. O acidente fez com que o casal ficasse afastado por um tempo em função de sua recuperação. No entanto, os dois mantiveram o contato por cartas.

Após o acidente, o amor de Frida por Alejandro só aumentou, era algo muito nítido nas cartas que trocavam. O Cachucha, por sua vez, estava cada vez mais distante. A artista acredita que ele havia descoberto seu caso com um outro rapaz.

Entre idas e vindas, o casal rompeu definitivamente em 1928, quando Alejandro se apaixonou por uma amiga de Frida. Arrasada, a artista ainda insistiu um pouco mais. Como não teve sucesso, alguns meses depois a artista já estava envolvida com seu futuro marido, Diego Rivera.

Isamu Noguchi

Em 1936 Frida se envolveu com o escultor Isamu Noguchi, já então muito conhecido nos Estados Unidos. Como o mundo das artes era pequeno no México da época, coube a Diego Rivera, então marido de Frida, apresentar os dois. Com 32 anos, o escultor era um homem charmoso, muito bonito e não demorou para que caísse de amores pela artista.

Frida passou a visitá-lo com frequência em seu trabalho, às escondidas na casa de sua irmã Cristina e na casa Azul, em Coyoacán. Apaixonados, planejavam alugar um apartamento para que pudessem se encontrar. Compraram alguns móveis, que foram entregues por engano na casa de Frida e Diego em San Ángel.

Foi assim que o caso dos artistas teve fim. Com Isamu Noguchi tendo que fugir do México, pois Diego os surpreendeu na cama e o ameaçou com uma arma. A história não demorou a sair em todos os jornais, com os leitores satisfeitos por Frida enfim "dar o troco" em Diego.

Palavras do escultor sobre a jovem Frida:

"Ela era uma pessoa adorável, absolutamente maravilhosa. Uma vez que Diego era famoso por ser um rematado mulherengo, ela não podia ser culpada se visse alguns homens…" – Isamu Noguchi

Leon Trotsky

O comunista Leon Trotsky foi o amante mais famoso da pintora mexicana. Em janeiro de 1937, Trotsky e sua esposa Natalia chegaram ao México fugindo da perseguição stalinista. Receberam abrigo na Casa Azul de Frida e Diego, onde moraram por mais de dois anos.

O comunista Leon Trotsky foi o amante mais famoso da pintora mexicana.

A artista viu em Trotsky, ídolo político de seu marido, a retaliação perfeita ao caso que Diego teve com sua irmã, Cristina. Além disso, sua reputação de herói revolucionário, intelectual e seu caráter a atraíam muito. Frida, com 29 anos de idade na época, não precisou fazer muito esforço para conquistar "o velho", como ela mesma o chamava. Trotsky tinha então quase 60 anos de idade.

O relacionamento durou pouco mais de seis meses. Uma das amigas da artista, Ella Wolfe, acredita que tenha sido Frida quem rompeu o relacionamento, pois Trotsky escreveu uma carta de mais de nove páginas, na qual suplica para que ela não se separe dele.

Logo depois, Diego Herrera teria descoberto o caso de sua esposa com o comunista e teria inventado motivos políticos para o expulsar de sua casa.

Nickolas Muray

Depois de Diego, o fotógrafo Nickolas Muray talvez tenha sido o homem que a artista mais amou. Frida em Nickolas se conheceram em 1931, através do artista Miguel Covarrubias, amigo que tinham em comum. Entre os indícios do início do relacionamento entre ambos, há um bilhete escrito por Frida em um guardanapo que dizia: "Eu te amo como eu amaria um anjo. Você é um lírio-do-vale, meu amor."

Durante dez anos os artistas foram amigos e amantes. Foi Nickolas quem nos proporcionou as melhores imagens da artista Frida Kahlo. Ele a fotografou de tantas as maneiras quanto foram possíveis: em casa, em seu estúdio, com seus autorretratos, nos momentos de fragilidade da artista, como amigos e como amantes.

O romance entre eles acabou em 1941, quando Nickolas se envolveu com aquela que seria sua esposa alguns meses depois. Foi um baque muito grande para a artista que confidenciou a uma amiga que "estava infeliz porque ‘um lindo norte-americano’ tinha rompido com ela, e por uma razão cruel: seus padecimentos físicos a tinham atrapalhado, impedindo a expressão física de seu amor."

Apesar do fim do caso entre Nickolas e Frida, eles continuaram grandes amigos até a morte da artista em 1954. O fotógrafo continuou registrando em fotos a vida de Frida, inclusive em momentos mais delicados como a luta constante contra as limitações físicas pela qual ela passou até o final de sua vida. Ao que consta, Nickolas pode ter sido o motivo do divórcio de Frida e Diego em 1939, logo após o muralista ter descoberto o relacionamento entre a artista e o fotógrafo.

Heinz Berggruen

Frida também teve um breve relacionamento com o refugiado alemão Heinz Berggruen. A artista o conheceu no final de 1940, em São Francisco, nos Estados Unidos. Na época ela tinha 33 anos e ele 25.

O belo e esbelto jovem ocupava o cargo de relações-públicas da Exposição Internacional Golden Gate, onde conheceu o marido de Frida, Diego Rivera. Foi o muralista quem insistiu que Heinz a conhecesse. Certo dia quando Frida estava em São Francisco para mais uma de suas cirurgias, Diego insistiu que o jovem a conhecesse, não sem antes mencionar: "Você vai ficar muito arrebatado por Frida". Ele sabia que o que estava por vir, que jovem se apaixonaria por sua esposa, talvez até quisesse isso.

Heinz a visitou todos os dias no hospital durante o mês em que ela permaneceu internada. Foi nesse momento que começou o caso entre eles, que se estenderia por mais dois meses, quando Frida viajou à Nova Iorque e o levou junto. Eles permaneceram por quase dois meses no Hotel Barbizon-Plaza, até que Frida, muito impaciente com o namorado 8 anos mais jovem, decidiu voltar ao México.

A artista decidiu aceitar a nova proposta de casamento de seu ex-marido e rompeu definitivamente com o jovem, que retornou a São Francisco. Heinz estava muito apaixonado por Frida e sofreu muito com a separação. Desde então, nunca mais se falaram.

Josep Bartolí

Josep Bartolí foi outro dos casos muito intensos e duradouros da artista. O pintor, refugiado da Guerra Civil espanhola, residiu entre o México e os Estados Unidos, no período em que se relacionou com a artista. O romance durou de 1946 até 1952, sem motivos aparente do término, mas quando Frida já estava bastante debilitada por todas as suas cirurgias e doenças.

O casal se conheceu por intermédio da irmã de Frida, Cristina, que os apresentou quando a artista esteve internada para mais uma de suas graves cirurgias na coluna vertebral. Ao retornar ao México depois da cirurgia, iniciaram uma extensa correspondência. Nas cartas que trocavam, para não levantar suspeitas em seu marido, Frida assinava como Mara e Bartolí, como Sonja, nome de mulher.

Mesmo após o término do romance entre os artistas, o pintor continuou muito apaixonado por Frida. Guardou todas as correspondências que trocou com a artista até 1995 quando faleceu. Após a morte de Bartolí, sua família vendeu as cartas à uma casa de leilão de Nova Iorque, que as leiloou posteriormente.

Nas cartas que somam mais de 100 páginas, há muitos desenhos, flores imprensadas, fotografias e detalhes de uma possível gravidez, em 1946. Nessas correspondências, a artista fala da relação tumultuada com seu marido, da solidão que sentia e da dificuldade de pintar por causa de todas as cirurgias que passou. Também percebe-se nas cartas uma certa chantagem emocional quando a artista diz que vai melhorar por ele e que só ele pode fazê-la feliz.

Chavela Vargas

Não foi só com homens que Frida teve suas aventuras e casos extraconjugais. Bissexual assumida, a artista teve seu primeiro envolvimento com outra mulher ainda adolescente. Depois de casada, seu marido não se importava que ela se relacionasse com outras mulheres.

Na década de 40 Frida conheceu a cantora mexicana Chavela Vargas. Ao escrever para o seu amigo, o pintor Carlos Pellicer, a artista confidenciou: "Hoje, conheci a Chavela Vargas. Extraordinária, lésbica, ela me inspira erotismo. Não sei se ela sentiu o mesmo que eu. Mas, eu acredito que seja uma mulher muito liberal, se me pedir, não duvidaria um segundo em me despir para ela".

Se consumaram um relacionamento físico, até hoje não se tem certeza, mas foram muito amigas e tinham fortes sentimentos afetivos uma pela outra. Aos 81 anos, em sua autobiografia, Chavela Vargas admitiu que Frida Kahlo foi o grande amor de sua vida. A cantora mexicana era homossexual assumida.

María Félix

Também há muitas suposições sobre um relacionamento da pintora Frida Kahlo, com a atriz de cinema María Félix. A atriz foi uma das amantes de Diego Rivera, a qual o muralista se apaixonou e a pediu em casamento. Frida inclusive chegou a enviar uma carta para María pedindo que aceitasse a proposta de casamento de seu próprio marido.

Também há muitas suposições sobre um relacionamento da pintora Frida Kahlo com a atriz María Félix.

Frida e Diego estavam sempre envolvidos em triângulos amorosos. Esse foi apenas mais um dos casos em que Frida seduziu uma das amantes de seu marido. María Félix ficava na Casa Azul com o casal por longas e temporadas e Frida chegou a pintar no quarto ao lado do seu estúdio: "Quarto de María Félix, Frida Kahlo e Diego Rivera".

No final de sua vida, foi com a atriz María Félix que Frida teve uma de suas amizades mais estreitas.

Esses foram apenas alguns casos e amores da pintora mexicana Frida Kahlo. A artista, que tanto sofreu em vida, compensou sua dor e suas angústias vivendo intensamente e amando muitos homens e mulheres. Muito solitária e carente durante a maior parte de sua vida, Frida tentava buscar em seus relacionamentos extraconjugais o afeto que muitas vezes não encontrou no próprio marido.

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