Deise Dilkin03/12/2019

Frida Kahlo: uma Vida Marcada pela Dor

A artista Frida Kahlo teve uma vida marcada por tragédias e dor desde sua infância, até a sua morte em 1954. Do momento que contraiu poliomielite com 5 anos de idade até a amputação de sua perna, pouco antes de morrer, a artista passou por mais de 35 cirurgias para que continuasse a viver. Foi uma sucessão de eventos dolorosos e traumáticos que mais parece ficção do que a vida real de uma das pintoras mais famosas do mundo.

Se a artista não tivesse passado por tantos infortúnios durante a sua curta vida, talvez ela não tivesse se tornado a pintora extraordinária que se tornou. Isso porque antes de sofrer o terrível acidente de bonde, aos 18 anos, Frida estudava medicina. Apesar de já ter um bom conhecimento sobre a pintura e talento para as artes, foi o acidente que a prendeu à cama e a fez começar a pintar para passar o tempo.

Todas as cirurgias que fez decorrentes do acidente e da poliomielite, os abortos sucessivos, o fato de nunca poder ter tido filhos somados às frustrações que teve em seu relacionamento com Diego Rivera, foram a matéria-prima de sua arte. Frida conseguiu dar cor à sua vida de sofrimento e angústias.

Frida Kahlo e a Poliomielite

Quando criança, Frida era gordinha e tinha um brilho travesso no olhar. Foi a poliomielite, contraída aos seis anos de idade, que fez essa realidade mudar. A doença a deixou acamada por nove meses, com muita dor na perna direita.

Frida Kahlo contraiui poliomielite com seis anos de idade.

Para fortalecer a perna direita, mais fina que a esquerda, foi-lhe recomendado um programa de exercícios físicos. Na época era pouco comum que meninas praticassem esportes e determinados exercícios físicos. Contrariando as expectativas, Frida saiu-se muito bem e tornou-se campeã de natação.

No entanto, sua perna continuava muito fina e ela usava três a quatro meias na panturrilha direita, acompanhadas de um sapato com salto embutido no pé. Todo o bullying que sofreu dos amigos que a chamavam de “Frida pata de palo” (Frida perna de pau), fizeram com que a garotinha gordinha e sorridente estivesse sempre sozinha e se tornasse uma criança retraída. A solidão também fez com que a artista se tornasse uma menina travessa e com preferências pelas atividades masculinas.

Frida Kahlo e o Acidente

O acidente de ônibus mudou a vida da artista para sempre. Ele ocorreu na tarde do dia 17 de setembro de 1925, quando Frida tinha 18 anos e voltava para Coyoacán com seu namorado Alejandro. A artista conta que tinha entrado em outro ônibus, mas como havia perdido sua sombrinha, desceu para procurar e entrou no ônibus que “a destruiu”.

Frida, aos 18 anos, sofreu acidente de ônibus, fraturando a coluna em vários lugares.

No acidente, um corrimão do ônibus atravessou Frida ao meio, entrando pelo quadril e saindo pela vagina. Sua coluna foi quebrada em três lugares na região lombar, além disso quebrou a clavícula, fraturou a terceira e a quarta vértebras, teve onze fraturas no pé direito e sofreu luxação do cotovelo esquerdo. Sua pelve também se quebrou em três lugares.

A hemorragia que teve foi tanta que os médicos não sabiam se ela sobreviveria. Durante a operação, tiveram que remontá-la, tamanha era a gravidade dos ferimentos. Frida passou os próximos trinta dias deitada de costas, imobilizada, revestida por gesso e presa em uma estrutura em formato de caixa.

A partir de 1925, sua vida mudou completamente. Teve que conviver a vida inteira com os corseletes metálicos e a dor. Uma amiga que tinha os prontuários médicos da artista, disse que desde a infância até o ano de 1951 (três anos antes de sua morte), Frida passou por 31 cirurgias.

Os Sucessivos Abortos de Frida Kahlo

Apesar da pólio e do acidente terem deixado sequelas definitivas no corpo de Frida Kahlo, foram os abortos que se tornaram o martírio de sua vida. Por conta da fratura na pelve, foi orientada que evitasse engravidar pois não poderia ter filhos de parto normal. No entanto, a artista sempre alimentou o desejo de ser mãe e acreditava que poderia ter filhos fazendo uma cesariana.

Em 1929 ela sofreu o primeiro aborto, e em 1932, o segundo. Em seu segundo aborto, quando estava vivendo nos Estados Unidos, Frida passava os dias chorando em desespero. Gritava que preferiria morrer a continuar vivendo daquele jeito.

A ideia de jamais ter filhos a apavorava. Seu grande desejo era ter filhos, e a impossibilidade de realizá-lo deixou-a extremamente traumatizada. Frida registrou em seu diário na época: "A pintura tem preenchido a minha vida. Perdi três crianças e uma série de coisas que poderiam ter preenchido esta vida miserável. A pintura substituiu tudo. Eu acho que não há nada melhor do que o meu trabalho."

Frida e a Amputação de sua Perna

Como o estado de saúde da artista tivesse piorado muito, em 1953 os médicos não encontraram outra saída a não ser amputar parte de sua perna direita. A amputação fez com que Frida ficasse profundamente deprimida. Apesar de se fingir de corajosa para os amigos, ela registrou toda a sua angústia e desespero em seu diário nos meses que antecederam a cirurgia.

Em estado crítico de saúde, os médicos não encontraram outra saída a não ser amputar parte da perna direita de Frida Kahlo.

A amputação de sua perna foi uma ofensa à estética de Frida, sua autoestima estava ligada à sua vaidade em um nível muito alto, e sua vaidade foi despedaçada quando cortaram a sua perna. Diego registrou em sua autobiografia que a esposa perdeu a vontade de viver após a cirurgia.

Quando a artista recebeu alta médica, se recusou a voltar para casa, pois havia uma mulher morando no estúdio de Diego. Na mesma noite, ela tentou suicídio pela primeira vez. Um velho amigo seu diz que Frida substituiu seu lema pessoal “Árvore da Esperança, mantenha-se firme”, por outro: “Está anoitecendo na minha vida”.

Mesmo assim, a artista continuou a pintar: uma de suas últimas obras foi "Natureza Morta (Viva a Vida)". No entanto, nunca mais recobrou sua alegria e vontade de viver. Após a cirurgia, Frida vivia constantemente drogada ou muito instável. Qualquer coisa era suficiente para que tivesse acessos de fúria.

A dor física e emocional da artista ficou eternizada na maioria de suas obras. É impossível observar os seus quadros e não sentir a dor, a angústia e a vontade de viver da pintora Frida Kahlo.

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