Deise Dilkin07/07/2020

Frida Kahlo e seus animais de estimação

A pintora mexicana Frida Kahlo adorava crianças. Em dois momentos diferentes de sua vida ela chegou a dar aulas de artes para crianças. O primeiro foi em 1928, quando ela precisava de dinheiro e Diego lhe conseguiu um emprego como professora. O outro foi no início da década de 40, quando ela começou a lecionar em La Esmeralda, Escola de Pintura e Escultura do Ministério da Educação Pública na Cidade do México.

Frida as tratava como iguais e acreditava que elas possuíam um talento criativo mais puro que os adultos. Por vezes, deitava-se de barriga para baixo no chão com elas e brincava de bolinha de gude e pião.

O fato de ter sofrido três abortos, nunca ter tido filhos e ter colocado todo esse sofrimento em seus quadros mostra o quanto ela gostava de crianças e desejava as suas presenças em sua vida.

Pouco se fala sobre outro aspecto muito importante da vida de Frida Kahlo, o seu amor pelos animais.

No entanto, pouco se fala sobre outro aspecto muito importante de sua vida, o seu amor pelos animais. Talvez Frida tenha direcionado o amor pelos filhos "não tidos" neles. Ou simplesmente os amou desde sempre. O fato é que animais de estimação estiveram muito presentes não só em sua vida como em diversas de suas obras.

Frida e seus animais de estimação

Durante o período em que viveu na Casa Azul, Frida teve diversos animais de estimação de diferentes espécies. Entre os seus amiguinhos, estavam um papagaio que se chamava Bonito, uma águia (Gertrude "Caca Blanca"), dois macacos (o Fulang Chang e o "El Caimito"), duas tartarugas, vários patos, dois perus, pombas, pássaros, um gato, esquilos, três cachorros da raça xoloitzcuintles e até mesmo um pequeno cervo, o Granizo.

Frida teve diversos animais de estimação de diferentes espécies, como patos, um papagaio, uma águia, etc.

A artista norte americana Emmy Lou Packard, que morou um tempo com Frida e Diego e chegou a trabalhar como assistente do muralista, sempre teve a percepção de que a pintora mexicana depositava nos animais o mesmo amor que ela tinha pelas crianças:

"Eram essas coisas comuns e banais da vida - animais, crianças, flores, o campo - que mais interessavam Frida. Para ela os animais eram como crianças."

Tanto Frida quanto Diego tinham adoração pelos "xolos", cães sem pelos e de pele escura, da raça xoloitzcuintle. Diversas fotografias mostram tanto a pintora quanto o muralista com seus amados "xolos", que inclusive foram incluídos em seus trabalhos. Rivera chegou a presentear a amiga Dolores Olmedo, nos anos 1950, com um casal de cãezinhos dessa raça, chamados de Nahual e Citlalli.

Descendentes deste casal (3 fêmeas e 10 machos) vivem até hoje em uma fazendo ao sul da capital, que era de propriedade da empresária e colecionadora. O local abriga a maior coleção de obras de Frida Kahlo e Diego Rivera.

Para a diretora de coleções do museu Josefina García, tanto os cães como as pinturas são obras vivas de Frida e Diego. Há uma estátua no jardim de um xolo e há treinadores para cuidar da matilha. O protagonismo das obras dos artistas é dividido com os animais.

Em 1937, Frida apresentou o seu macaquinho Fulang Chang. Desde então, macacos começaram a aparecer em seus autorretratos. Há pelo menos 8 autorretratos da artista em que os animaizinhos aparecem.

Em 1939 quando o casal se divorciou, Frida levou o macaquinho para morar com ela na Casa Azul. Em 1941, Frida escreveu uma carta para a amiga Emmy Lou, que havia retornado aos Estados Unidos:

"Imagine só, o papagaio "Bonito" morreu. Fiz um pequeno memorial pra ele e tudo, e desde então já chorei muito por ele, pois, você se lembra, ele era maravilhoso. Diego também ficou muito triste. O macaquinho "El Caimito" teve pneumonia e também estava quase caindo morto, mas tomou "sulfanilamida" e melhorou. O seu papagaiozinho está bem - ele está aqui comigo."

Como a relação com os animais influenciou a sua vida

Frida adorava decorar a sua casa com muitas flores e plantas diversas. Gostava ainda mais de animar esse belo quadro vivo com seus animaizinhos de estimação. Bonito, o papagaio, era o seu preferido e se aninhava sob as cobertas quando a artista deitava-se para relaxar.

Veja como a relação com animais influenciou a vida de Frida Kahlo

Era a alegria dos convidados de Frida e jogava-lhes beijos enquanto do lado de fora, outro papagaio que bebia cerveja e tequila, gritava "¡No me pasa la cruda!" (essa minha ressaca não passa!).

Um dos passatempo preferidos de Frida era sentar-se ao sol no pátio ouvindo o canto dos pássaros e brincando com os seus "xolos". A artista não deixava de estender as mãos até o poleiro das pombas nem de dar atenção para Gertrude "Caca Blanca" ou seu casal de perus cinzentos.

É impossível não pensar em como essa relação com os animais influenciou não só a sua vida como o seu trabalho. A escritora Monica Brown, que escreveu um livro sobre Frida e seus animaizinhos, retrata Frida colorida como o seu papagaio e independente como o seu gato.

No quadro Autorretrato com macaco, de 1945, Frida retrata o macaquinho pequeno, magro e peludo, como ela própria. É como se fosse um pequeno alter ego seu, que a confronta e ao mesmo tempo cuida dela.

No quadro Autorretrato com macaco, de 1945, Frida retrata o macaquinho pequeno, magro e peludo, como ela própria.

No período em que pintou O veado ferido, ela fez um desenho em seu diário inspirado em Granizo, seu veado de estimação. No quadro, Frida retrata-se como um híbrido animal e humano.

É como se a artista e seus animais de estimação fossem uma coisa só. Ou ela enxergasse muito de si em cada um deles. Muitos outros quadros seus referem-se a animais, principalmente os que ela compartilhou parte de sua vida.

No ano de 2015, o Jardim Botânico de Nova Iorque decidiu montar uma exposição intitulada "Frida Kahlo: art, garden, life", que mostrava a conexão entre Frida, a natureza e os animais.

Todo esse amor de Frida pela natureza e pelos animais é desconhecido por grande parte de seus fãs. Mas assim como ela usou a pintura para dar significado à sua vida, ela depositou em seus animais de estimação o amor que teria dado a seus filhos, caso os tivesse.

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