Deise Dilkin12/11/2019

Frida Kahlo e Diego Rivera, uma tórrida história de amor

Diego Rivera foi, sem dúvida nenhuma, o grande amor da vida de Frida Kahlo. Durante 25 anos, entre idas e vindas, traições e o divórcio, a vida dos dois artistas esteve entrelaçada. Foi um relacionamento apaixonado e ao mesmo tempo tempestuoso, marcado por casos extraconjugais de ambas as partes e fonte de inspiração e sofrimento para Frida.

O casal se conheceu na Escola Preparatória onde Frida era aluna e Diego pintava o mural “A Criação” (1922) no Anfiteatro Simón Bolívar. A artista tinha na época 15 anos e dizia para as suas amigas que um dia se casaria com o famoso Diego Rivera. Elas riam e lhe falavam que ele era gordo e velho. Frida não se importava nem um pouco, ele era muito simpático e muito talentoso.

O casal era conhecido como o Elefante e a Paloma, pela grande diferença de tamanho que havia entre eles. Receberam esse apelido da mãe de Frida, que era totalmente contra o casamento. Ela relutou muito em aceitar a união não só pelas diferenças estéticas, mas também pela grande diferença de idade entre o casal (Diego era 21 anos mais velho que Frida).

Durante todo o tempo em que estiveram juntos, Frida e Diego passaram por dois casamentos, um divórcio e muitos escândalos de traição, principalmente pela parte de Diego. O mais importante deles e que resultou na primeira separação do casal, foi com a própria irmã de Frida, Cristina. Ela e seus filhos moraram por algum tempo com o casal, tendo inclusive posado nua para Diego na obra O Conhecimento e a Pureza.

Desse relacionamento conturbado, surgiram muitas obras de Frida. Além disso, há muitas cartas apaixonadas, fotografias e depoimentos que comprovam essa história de paixão tórrida e infidelidade.

A Escola Preparatória

No ano de 1922, Frida iniciou seus estudos na Escola Nacional Preparatória, considerada a melhor instituição de ensino do país. A escola preparava os jovens para que ingressassem nas melhores graduações do país. Frida viria a cursar medicina antes do acidente que sofreu aos 18 anos.

A admissão de meninas na escola era uma novidade e a artista era uma das 35 meninas em mais de 2000 estudantes. Seus amigos a achavam fascinante.

Frida Kahlo e Diego Rivera, casal conhecido como o elefante e a pomba.

Foi na escola preparatória que Frida conheceu Diego, ela com 15 e ele com 36 anos. Apesar de ser proibido o acesso dos alunos ao anfiteatro onde os pintores trabalhavam, Frida sempre dava um jeito de escapar e aprontar travessuras com o pintor que já era mundialmente conhecido. Ela roubava sua comida da cesta ou ensaboava as escadas esperando que ele caísse.

Há fortes evidências de que foi na Preparatória que Frida se apaixonou por Diego. Frida teria dito a suas amigas que: “Minha ambição é ter um filho de Diego Rivera. E um dia vou dizer isso a ele”. Elas riam e diziam que ele era barrigudo e horroroso.

O pintor lembra de Frida nessa época como uma menina que parecia ter uns 10,12 anos, mas com seios bem desenvolvidos. Ela entrava no anfiteatro com muita segurança e perguntava “se o senhor” a deixaria vê-lo pintar. Ela permanecia por duas a três horas vendo-o pintar, muito atenta a todos os seus movimentos.

No entanto, ambos só se envolveram anos mais tarde quando Frida foi visitá-lo e mostrar os seus quadros. Diego se apaixonou não só pelos seus quadros quanto pela artista.

O Elefante e a Pomba

Em 1929, Frida procurou Diego para ter uma opinião profissional. Levou consigo os seus desenhos e gostaria de saber se o pintor acreditava que ela deveria seguir com a pintura como atividade profissional. Diego apaixonou-se imediatamente não só pelos desenhos, mas também pela linda moça de olhos escuros e que esbanjava vitalidade.

Tanto os amigos como a família de Frida relutaram em aceitar o casamento dos dois artistas. Eram muitas as diferenças entre eles, não só fisicamente. Além de Diego ser um homem grande e gordo, ele tinha o dobro de idade da pintora e já era muito famoso naquela época.

Sua mãe costumava dizer que seria o casamento de uma pomba com um elefante. Apesar de tudo, casaram-se no dia 21 de agosto de 1929, em uma cerimônia simples após um curto período de namoro. Frida tinha então 22 anos e Diego 43.

Conta-se que a ex-mulher do pintor, Lupe Marín, adentrou a cerimônia de casamento, dirigiu-se à Frida, ergueu-lhe o vestido e disse em alto e bom som: “Olhe para esses dois pauzinhos. É o que Diego tem em vez de pernas”.

E assim Frida Kahlo casou-se com o homem de seus sonhos pela primeira vez.

A Vida nos Estados Unidos

Em novembro de 1930, o casal desembarcou em São Francisco, Califórnia. Diego pintaria murais na Bolsa de Valores de São Francisco e na Escola de Belas-Artes de São Francisco. Juntos exploraram a cidade antes que Diego começasse a pintar.

Entre 1930 e 1933 o casal passou a maior parte do tempo em Nova Iorque e Detroit. A residência nos Estados Unidos reforçou o nacionalismo mexicano da artista.

Parte do mural pintado por Diego Rivera em Nova Iorque, onde morou com Frida Kahlo.

Em julho de 1932, Frida teve o seu segundo aborto no Hospital Henry Ford. Os 13 dias que passou no hospital foram angustiantes e Frida gritava a todo momento que não sabia o por que continuar vivendo daquele jeito. Também fez muitos desenhos e pintou um de seus quadros mais famosos “Hospital Henry Ford”, também conhecido como “A cama voadora”.

Foi após esse aborto nos Estados Unidos que Frida começou a pintar autorretratos sangrentos e que retratavam muita dor e sofrimento. Conforme relato de Diego Rivera: “Nunca antes uma mulher tinha colocado numa tela tanta poesia agônica como Frida fez naquele período em Detroit”.

Aos poucos a artista foi superando o luto por seu aborto e pela morte de sua mãe e voltou a pintar retratos em que aparece revigorada. No dia 20 de dezembro de 1933, Frida e Diego retornaram ao México. Nos Estados Unidos fizeram muitas amizades e estiveram com pessoas da alta sociedade como Henry Ford e Nelson Rockefeller.

Frida Kahlo e Diego Rivera retratados em uma foto antiga.

O Divórcio

Em 1939 Diego pediu o divórcio a Frida, quando ela retornou de uma viagem à França para expor suas obras. No verão do mesmo ano, ela voltou para a Casa Azul deixando Diego em San Ángel. Em outubro o pedido de divórcio por mútuo consentimento já sido encaminhado ao tribunal.

Entre as inúmeras explicações para a separação não houve nenhuma convincente. Alguns amigos acreditam que os problemas do casal eram de ordem sexual.

Enquanto alguns diziam que Rivera era impotente e incapaz de satisfazer Frida, outros acreditavam que a fragilidade da artista fazia com que ela que não fosse capaz de satisfazer o marido. A hipótese de Diego ter descoberto o caso e a paixão da esposa pelo fotógrafo Nickolas Muray também foi cogitada. Assim como o fato de o pintor ter descoberto o caso de Frida com Trotsky e o expulsado de sua casa, onde estava exilado há três anos.

De sua parte, a pintora mexicana acusava a ex-mulher de Diego, Lupe Marín, pelo fim do seu casamento. Mesmo depois de casado, o pintor continuou muito atraído pela ex-mulher e mãe de suas filhas. Rivera, por sua vez, chegou a afirmar que havia se divorciado apenas para provar que seu biógrafo estava errado ao afirmar que se ele perdesse a esposa entraria em depressão e nunca se recuperaria.

Desde diferenças artísticas, conveniência legal para preservar a amizade até a intenção de Diego se casar com outra mulher foram cogitados. No final das contas, não há como confirmar a real razão do divórcio entre os dois artistas. Sabe-se apenas que a decisão partiu de Rivera.

Um ano depois de se divorciarem formalmente, Frida Kahlo e Diego Rivera casaram-se novamente. Permaneceram juntos até a morte da artista em julho de 1954. A lista de casos amorosos extraconjugais se tornou extensa em ambos os lados, mas eles continuaram juntos até os últimos dias de vida de Frida.

Em uma entrevista à Gladys March, Diego reconheceu que a pintora mexicana foi o grande amor de sua vida e todo o sofrimento que a fez passar:

"Tarde demais percebi que a parte mais maravilhosa da minha vida tinha sido meu amor por Frida, embora realmente não pudesse dizer que, se tivesse outra oportunidade, eu me comportaria com ela de maneira diferente. Todo homem é um produto da atmosfera social em que cresce e eu sou quem sou. Não tive nunca moral alguma e vivi apenas para o prazer, onde quer que o encontrasse […] Se amava uma mulher, quanto mais a amava, mais desejava magoá-la. Frida foi apenas a vítima mais óbvia desta desagradável característica da minha personalidade." – Diego Rivera

O período em que estiveram juntos foi de muitas batalhas e sofrimento, mas sem dúvida alguma foi também de muito amor e muita paixão de um pelo outro.

10% OFF
1ª compra
🤍