Deise Dilkin12/06/2020

Frida Kahlo e Diego Rivera - retratos de um relacionamento

Que Diego Rivera foi o grande amor de Frida Kahlo (e vice versa) todos sabemos. Que foi um romance apaixonado e tempestuoso, também. Mas para as pessoas que não conviveram direta e indiretamente com o casal, fica difícil de saber e entender o quão apaixonados eles foram um pelo outro.

Foram 26 anos entre namoro, dois casamentos, um divórcio e muitas idas e vinda. Mas ao final de tudo, o que prevaleceu foi sempre o amor e o companheirismo que um sentia pelo outro.

Um dos casais mais famosos do México, Frida e Diego formavam uma dupla e tanto! Ela pequena e impetuosa, ele enorme e extravagante. Os "monstros sagrados" como ficaram conhecidos pelos amigos próximos.

Suas travessuras e excentricidades divertiam os tabloides da época e encantavam os amigos próximos. Apesar de suas diferenças físicas, o casal tinha muito em comum: seja o humor e a inteligência ou suas consciências sociais e visão de vida.

Afinal, o que sempre os uniu foi o respeito pela pessoa e pelo trabalho um do outro.

O início

Frida e Diego conheceram-se na Escola Nacional Preparatória enquanto Frida se preparava para cursar a faculdade de medicina. Frida era pouco mais que uma adolescente e o famoso muralista logo chamou sua atenção.

Frida e Diego conheceram-se na Escola Nacional Preparatória enquanto Frida se preparava para cursar a faculdade de medicina.

Pensava consigo mesma: "Você vai ver só, panzón barrigudo, agora você não presta atenção em mim, mas um dia terei um filho seu". Não se passaram muitos anos até o momento que Frida procurou Diego para mostrar os seus quadros e logo começaram a namorar.

Dessa época, Diego relembra em sua autobiografia:

"Eu ainda não sabia, mas Frida já tinha se tornado o fato mais importante da minha vida, e continuaria sendo, até o momento de sua morte, 26 anos depois".

Diego já era então muito famoso e reconhecido no mundo todo. Frida recém começava a sua vida como pintora. Mas a vida dos dois artistas se entrelaçou definitivamente a partir deste momento, até a morte de Frida.

O amor de Diego por Frida

Diego era conhecido pela absorção total em si mesmo e em seu trabalho. Ficava envolvido em suas pinturas por dias e semanas a fio sem pensar em mais nada. Apesar disso, Frida conseguiu um lugar especial não só em sua vida como também em seu coração.

Diego tinha muito orgulho do sucesso profissional de Frida. Gabava-se aos amigos que antes de qualquer um dos conhecidos, até dele mesmo, Frida havia pendurado um quadro nas paredes do Louvre. Não se cansava de contar da vez em que esteve com Pablo Picasso em Paris, e o espanhol disse que nem ele nem Diego seriam capazes de nada parecido ao trabalho da artista.

A quem visitava a sua casa, Rivera dizia que precisava conhecer a sua esposa, pois não havia nenhum artista no México comparado a ela. À sua amiga, a cantora Carmen Jaime, Diego confidenciou uma vez:

"Se eu tivesse morrido sem conhecê-la, teria morrido sem saber o que era uma mulher de verdade!"

Apesar da fama de mulherengo e dos inúmeros casos que teve com outras mulheres, foi Frida Kahlo quem ele amou mais do que qualquer outra. Aos poucos a pintora foi se tornando um pilar essencial na vida de Diego, discernindo suas necessidades e vulnerabilidades.

As cartas dele para Frida mostram um homem carinhoso atrás da obstinação por seu trabalho. Frases como "Criança dos meus olhos, te deixo milhares de beijos", "Para minha bela menininha" ou "Para a linda Fisita" eram muito comuns em seus bilhetes e suas correspondências.

Diego também adorava a habilidade de Frida de f na cara e de suas respostas engenhosas. Muitas vezes ele a provocava com algum comentário maldoso, apenas para ganhar uma resposta atravessada.

Em uma entrevista à Gladys March, Diego reconheceu que a pintora mexicana foi o grande amor de sua vida:

"Tarde demais percebi que a parte mais maravilhosa da minha vida tinha sido meu amor por Frida, embora realmente não pudesse dizer que, se tivesse outra oportunidade, eu me comportaria com ela de maneira diferente…"

O amor de Frida por Diego

Frida era uma mulher expansiva e amorosa e sua paixão por Diego sempre foi escancarada. Para ela, Rivera era "o arquiteto da vida". Durante todo o relacionamento ela tolerava o seu egoísmo e tinha uma postura extremamente protetora, quase de uma mãe para um filho.

Ela ria de suas enormes cuecas cor de rosa e comprava brinquedos para boiar na banheira, enquanto esfregava o marido. Quando Diego adoeceu logo após o casamento, ela prontamente cuidou dele, fazendo com que obedecesse às ordens médicas. Esteve ao seu lado quando ele foi expulso do partido comunista.

Nem mesmo o ritmo frenético de trabalho do marido fez com que Frida deixasse de apoiá-lo. Pelo contrário, juntava-se a ele no andaime e levava suas refeições em cestas decoradas de flores, com guardanapos com bilhetinhos que diziam "adoro você". Defendia o marido de todas as formas, até fisicamente se fosse o caso, como em certa vez que durante uma briga do marido, ela saltou furiosa na frente do agressor e seus insultos furiosos fizeram com que ele fugisse.

Em seu diário, certa vez ela escreveu:

"Ninguém nunca vai saber como eu amo Diego. Não quero que nada o machuque, que nada o incomode nem tire dele a energia de que ele precisa para viver - para viver do jeito de que ele bem deseja, pintar, ver, amar, comer, dormir, sentir-se sozinho, sentir-se acompanhado - mas eu gostaria de dar tudo pra ele. Se eu tivesse saúde, daria toda pra ele. Se eu tivesse juventude, ele poderia ficar com toda ela." - Frida Kahlo

Um casamento apenas não foi suficiente para tanto amor

Um ano depois de se divorciarem formalmente, Frida Kahlo e Diego Rivera casaram-se novamente e permaneceram juntos até a morte da artista em julho de 1954.

Um ano depois de se divorciarem formalmente, Frida Kahlo e Diego Rivera casaram-se novamente e permaneceram juntos até a morte da artista em julho de 1954.

Depois deste segundo casamento, a ligação entre os dois se fortaleceu ainda mais. Apesar de que em alguns momentos eles passassem grande parte do tempo separados, eles celebravam seus aniversários de casamento com festa e troca de presentes.

A artista norte americana Emmy Lou Packard, que trabalhou como assistente de Diego, lembra de um momento que provou o quanto o casal possuía uma incrível capacidade instintiva. Certa vez, os três combinaram de se encontrarem para ver um filme no cinema. No entanto, Diego e Lou não encontravam Frida na extensa fila de pessoas que aguardava do lado de fora. Diego começou a assoviar o primeiro compasso da música "Internacional". Do meio da multidão alguém começou a assoviar o segundo. Era Frida. Continuaram assoviando até que se encontraram no meio da turba.

Em inúmeras de suas telas, a artista mostra o casal juntos e como o relacionamento deles foi mudando ao longo dos anos. Em todas elas, são perceptíveis o amor e a necessidade dela pelo marido. Em O abraço amoroso, de 1949, ela pintou o casal da maneira que supostamente funcionava melhor para os dois: Diego é um bebezão deitado contente no colo maternal de Frida.

O amor e a paixão entre eles era tanto que não surpreende que a vida conjugal dos dois fosse repleta de brigas violentas seguidas de reconciliações carinhosas. Apesar de tudo, o que sobreviveu até a morte de Frida, foi o amor e a camaradagem entre eles.

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