Deise Dilkin29/05/2020

Causas Sociais que Frida Kahlo apoiaria

Frida Kahlo além de uma artista talentosa foi uma mulher extraordinária. Por mais que grande parte da sociedade conheça apenas a sua obra e o seu sofrimento intenso, sua vida foi recheada de lutas por seus ideais e atitudes revolucionárias. Através de cada pincelada podemos ver a sua influência política e social.

Frida sempre esteve muito à frente de seu tempo e se vivesse atualmente, certamente seria engajada com inúmeras causas sociais visto toda a sua militância em vida. A artista quebrou tabus e falou sobre assuntos que não eram abordados na sua época. Mais do que isso, viveu livremente sua vida e suas paixões.

Apesar de nunca ter se declarado feminista, viveu sua vida como se assim o fosse, sempre comprometida com seus ideais. Seu trabalho questiona as condições tradicionais imposta às mulheres. Em seus quadros, Frida deu voz a questões que até então não eram abordadas e muito menos expostas com naturalidade, como cenas de partos, abortos, sua imagem retratada de forma andrógina e violência doméstica contra as mulheres.

Por isso e por episódios da sua vida que descreveremos a seguir, é que acreditamos que a Frida Kahlo do século XXI provavelmente seria uma mulher engajada com inúmeras causas sociais e apoiaria suas respectivas instituições.

Causas Sociais que Frida Kahlo provavelmente apoiaria

Frida teve uma vida curta e intensa, poderíamos até mesmo dizer que ela viveu séculos em algumas poucas décadas. Mas sua trajetória é digna de ser lembrada e transmitida às novas gerações.

A trajetória de Frida Kahlo é digna de ser lembrada e transmitida às novas gerações

A pintora jamais teve medo ou vergonha de se expressar em sua totalidade, seja na sua vida pessoal ou profissional. Em suas obras vemos o turbilhão de emoções que era a sua vida e mesmo em meio à tanto sofrimento pessoal, conseguiu direcionar a energia que lhe restava ao seu maior prazer: a pintura. Segundo palavras da artista:

"A pintura tem preenchido a minha vida. Perdi três crianças e uma série de coisas que poderiam ter preenchido esta vida miserável. A pintura substituiu tudo. Eu acho que não há nada melhor do que o meu trabalho". - Frida Kahlo

Toda essa intensidade na vida de Frida não era comum à época, que exigia que as mulheres fossem recatadas, submissas a seus maridos e não tivessem profissões com tamanha projeção. Se ela vivesse na atualidade, certamente apoiaria inúmeras causas que buscam a liberdade de expressão e a diminuição da desigualdade social entre as pessoas.

A seguir, listamos algumas causas e movimentos sociais que Frida provavelmente apoiaria caso vivesse nos dias de hoje:

Feminismo

O feminismo é um movimento social que luta pela igualdade de condições entre homens e mulheres. Através de um conjunto de movimentos políticos, sociais, ideologias e filosofias buscam promover e garantir os direitos das mulheres. Apesar de este não ser um movimento novo, tendo iniciado no final do século XIX e início do século XX, é na atualidade que ele ganhou mais força e as mulheres têm visto mais progresso na sua luta e reivindicações.

Essa é uma causa social que certamente Frida apoiaria levando em conta toda sua trajetória de mulher independente e protagonista de sua própria vida. Desde jovem Frida gostava de usar roupas masculinas, tendo inclusive cortado seu cabelo bem curto quando se separou de Diego pela primeira vez. Praticava esportes como luta e natação quando criança que não eram nada comuns para meninas na época.

Enfrentou sua família para casar-se com um homem que eles não aprovavam. Seu posicionamento também ficava evidente em seu guarda-roupa, composto de peças ousadas, chamativas e vestidos tehuanos que exaltavam a independência das mulheres da época. Frida nunca se importou com padrões estéticos e de beleza. Era uma mulher muito segura de si e acreditava que seus olhos e sua "monocelha", muito criticados ainda nos dias de hoje, eram a parte mais bonita de seu corpo.

Além disso, em 1942 quando lecionou na Escola Nacional de Pintura, Escultura e Gravura, Frida passou a se posicionar em defesa dos direitos das mulheres. Em sua obra "Unos Cuantos Piquetitos", retratou a violência doméstica sofrida por uma mulher que foi morta a facadas pelo seu marido. No tribunal o homem se defendeu dizendo que "foram apenas algumas facadinhas de nada", fato que deixou a artista indignada.

Entre as suas maiores contribuições sociais, mostrou-se favorável a que assuntos até então considerados particulares na vida de uma mulher deveriam ser abordados como políticos. A artista escandalizou muitos de seus contemporâneos com sua postura e suas atitudes.

LGBTQI+

O movimento LGBTQI+ se destina a promover a diversidade das culturas baseadas em identidade sexual e de gênero. Além disso, busca unir as pessoas que fazem parte da comunidade (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, queer, intersexuais e demais) para que se sintam reconhecidas e representadas.

Na década de 90, o próprio movimento converteu a artista em ícone gay, fortalecendo a sua imagem de apoiadora das causas sociais. Foram as suas atitudes modernas quanto a explorar sua sexualidade abertamente na vida e no trabalho que a tornaram um ícone entre a comunidade LGBTQI+.

Sem se importar com a opinião dos outros, a artista viveu seus amores intensamente. Seja com seu esposo, Diego Rivera, em triângulos amorosos com as amantes de seu marido ou em relações extraconjugais, tanto com homens como mulheres. Sua bissexualidade foi vivida tão intensamente quanto seu casamento com Diego.

Arte democrática

Frida também foi responsável por levar arte às crianças menos favorecidas e por servir de inspiração a seus alunos a fundarem um grupo com o mesmo objetivo. Em 1942 começou a lecionar em La Esmeralda, Escola de Pintura e Escultura do Ministério da Educação Pública. A escola tinha o objetivo de "preparar indivíduos cuja personalidade criativa mais tarde se expressaria nas artes" e não cobrava mensalidades dos seus alunos por serem em sua grande maioria pobres.

Frida também foi responsável por levar arte às crianças menos favorecidas e por servir de inspiração a seus alunos a fundarem um grupo com o mesmo objetivo.

Frida Kahlo, como professora, levou muito além de conhecimento aos seus alunos. Levou igualdade nas relações sociais, justiça, envolvimento nas discussões políticas e o estímulo ao conteúdo social na arte. Alguns deles, anos mais tarde, fundaram o grupo conhecido como os Jovens Artistas Revolucionários. Pintores esquerdistas que compartilhavam da ideia de levar arte ao povo.

Valorização da cultura local

Frida também foi uma grande apoiadora da cultura mexicana, ao contrário do que era comum para a elite daquela época. Além de se declarar filha da Revolução Mexicana, inclusive mentindo a sua data de nascimento para coincidir com a data de início da revolução, a artista valorizava a comida, roupas e objetos típicos do seu país.

Apesar de ter morado no Estados Unidos e passado uma temporada na Europa, era a cultura mexicana que ela celebrava em suas roupas, em sua casa e nas cores fortes que usava em seu trabalho. E foi assim que Frida ficou conhecida no mundo todo, vestindo os seus trajes típicos coloridos, com flores nos cabelos e sobrancelhas largas.

A pintora mexicana certamente teria gostado de conhecer alguns pintores de nosso país, grandes nomes da pintura modernista brasileira, como Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti e Cândido Portinari. Enquanto Tarsila criou os movimentos nacionalistas 'Pau-Brasil' e 'Antropofágico', que marcaram seus quadros com paisagens do Brasil, cores vivas e alegres, Di Cavalcanti gostava de pintar festas populares, favelas, operários, em telas coloridas e que passavam uma sensação de alegria e celebração.

Cândido Portinari, principal nome da pintura nacional com projeção no resto do mundo, retratava principalmente as questões sociais em seu trabalho, explorando temáticas brasileiras que incluem a luta das classes dos trabalhadores nas plantações, favelas e cidades.

Com os movimentos sociais cada vez ganhando mais espaço no cenário nacional e no mundo, fica difícil não pensar em quanto Frida estaria orgulhosa e seria engajada nessas causas caso vivesse na atualidade. Sua natureza idealista, de muitas lutas e resiliência deve ser lembrada, exaltada e transmitida às gerações futuras.

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